Entre os fãs de terror, poucas antologias são tão icônicas quanto a série V/H/S, que conquistou seu público com uma premissa visceral: uma coleção de curtas-metragens macabros interligados por uma narrativa principal.
Tudo começou em 2012 com o longa original, que revelou talentos notáveis – como Ti West (diretor de X – A Marca da Morte) e Tyler Gillett (co-diretor de Pânico de 2022) – antes mesmo de se tornarem nomes consagrados no gênero. Com o sucesso, a franquia expandiu-se e, em 2024, chegou a sua mais nova entrega, V/H/S/Beyond, exclusiva no Shudder, streaming americano especializado em horror.
Ao todo, a saga conta com sete filmes principais já lançados e dois derivados, criando um universo vasto e perturbador. Agora, em 2025, um novo longa chegará ao Shudder: V/H/S/Halloween,que promete renovar a saga com o foco em eventos sinistros que aconteceram durante o Dia das Bruxas. Para se preparar para o novo lançamento, uma boa opção é assistir aos outros capítulos dessa saga de arrepiar.
Para assistir em ordem cronológica na narrativa, basta seguir a lista abaixo, mas vale dizer que os derivados não entram, pois eles estão fora da lore principal, ou seja, suas histórias não interferem nos acontecimentos dos filmes.
- V/H/S 85 (2023)
- V/H/S 94 (2021)
- V/H/S 99 (2022)
- V/H/S (2012)
- V/H/S 2 (2013)
- V/H/S Viral (2014)
- V/H/S Beyond (2024)
Porém, recomendo assistir à ordem de lançamento (assistindo os derivados à parte), pois é possível ver como os filmes foram evoluindo – para o bem ou para o mal. Confira a ordem abaixo:
1. V/H/S (2012)
Lançado em 2012, V/H/S deu origem à franquia e revolucionou o subgênero found footage com sua estrutura ontológica inovadora. A premissa segue um grupo de delinquentes que, ao invadir uma casa, depara-se com uma série de fitas VHS contendo histórias macabras e sobrenaturais. Segmentos como "Amateur Night" (que introduziu a icônica criatura Lilith) e "Tuesday the 17th" destacam-se pela criatividade e horror cru, dirigidos por nomes que se tornaram famosos no gênero, como Ti West e David Bruckner (O Ritual). A recepção foi mista: elogiado pela ousadia e atmosfera visceral, mas criticado por sua narrativa fragmentada. Em comparação com as sequências, é mais cru e experimental, porém menos polido. Mesmo assim, é um filme que me deixou aterrorizada por muito tempo, mesmo que depois a fórmula tenha casado – mas vamos com calma. Perfeito para quem aprecia filmes sobre fitas misteriosas de arrepiar como Creepshow (1982) e The Poughkeepsie Tapes (2007):
2. V/H/S 2 (2013)
Considerado por muitos – e por mim – o ápice indiscutível da saga, V/H/S 2 eleva a franquia a novos patamares com segmentos que são verdadeiras joias do terror found footage. Na minha opinião, o filme acerta em tudo: o ritmo é acelerado e não dá trégua, a criatividade transborda em cada fita, e a técnica é visivelmente mais apurada que a do primeiro. Destaques como "Safe Haven" (dirigido pela dupla explosiva Timo Tjahjanto e Gareth Evans) são de tirar o fôlego – a sequência da seita apocalíptica é um misto de caos, terror e genialidade narrativa que raramente se vê no gênero. Já "Slumber Party Alien Abduction" é pura adrenalina. A recepção foi extremamente positiva, com críticos e fãs aplaudindo a intensidade e a coesão narrativa superior à do primeiro filme. É um longa que não só assusta, mas também prende do início ao fim, sem momentos maçantes. Comparado ao filme seguinte, Viral,é absurdamente mais equilibrado e impactante. Quem se impressionou com a criatividade brutal deste volume, sugiro mergulhar em Assim na Terra Como no Inferno (2014) e A Conspiração (2012), que carregam a mesma vibe de horror investigativo e claustrofóbico.
3. V/H/S Viral (2014)
Na minha avaliação, V/H/S Viral é a entrada mais frustrante da franquia – e não somente por ser considerada a mais fraca da trilogia original, mas porque tinha potencial desperdiçado. Segmentos como "Dante the Great" (com seu manto maligno e conceito de fama que corrói) e "Parallel Monsters" (dimensões alternativas com criatividade visceral) até prometem, mas a execução é inconsistente e a narrativa principal (sobre um vírus que viraliza violência) é confusa e mal desenvolvida. O filme prioriza o estilo em detrimento da substância, resultando em uma experiência caótica e pouco impactante. A recepção foi negativa, e concordo: falta o terror palpável de V/H/S 2 e a coesão do original. Se você é fã da saga, vale pela curiosidade, mas prepare-se para decepção. Para quem quer antologias com melhor equilíbrio, recomendo The Signal (2007) eSouthbound (2015).
4. V/H/S 94 (2021)
V/H/S 94 foi um respiro de alívio e um retorno triunfal da franquia! Após o hiato e a queda de Viral, este filme não somente resgata a essência das fitas amaldiçoadas, como eleva o horror a um novo patamar. A ambientação em 1994 é impecável – a estética VHS é tão autêntica que chega a dar arrepios. Segmentos como "Storm Drain" (com o assustador homem-rato) e "The Subject" (experimentos corporais cyberpunk) são brutais e inventivos. Na minha opinião, é o melhor da saga desde V/H/S 2, com uma atmosfera sombria e coerência rara. A recepção foi excepcional, principalmente por ser focado, assustador e honrar o legado do found footage. Os fãs de terror e mistério que adoram V/H/S 94 – assim como eu – boas opções são O Mensageiro do Último Dia (2020) e a série Arquivo 81 (2022), pois ambas te deixam intrigado e assustado do começo ao fim.
5. V/H/S 99 (2022)
V/H/S 99 é provavelmente a entrada mais divertida da franquia – mesmo que não seja a mais assustadora. Ambientado no final dos anos 1990, o filme abraça a nostalgia Y2K com humor ácido e energia caótica. Segmentos como "Ozzy’s Dungeon" (um game show maligno que satiriza programas infantis) e "To Hell and Back" (invocação demoníaca com química cômica) são criativos e engraçados, mas não esperem sustos profundos. A recepção foi positiva, e eu concordo: é uma aventura leve e inventiva, perfeita para quem quer horror sem levar a sério. Comparado a 94, é menos intenso, mas mais despretensioso. Tem uma vibe bem parecida com Scare Package (2019) e The Houses October Built (2014), quando há nostalgia, terror e até mesmo diversão ao assistir. .
6. V/H/S 85 (2023)
V/H/S 85 é uma experiência atmosférica, mas irregular. O filme mergulha nos anos 1980 com uma estética retro imersiva (synthwave, cores saturadas), mas alguns segmentos pecam por serem mais conceituais que aterrorizantes. "TKNOGD" (realidade virtual mortal) é interessante filosoficamente, mas falta impacto; já "Dreamkill" (gravações premonitórias) é visceral e perturbador. A recepção foi dividida, e eu entendo: amo a ambientação, mas sinto falta do horror prático de 94. Comparando ambos, 85 é mais ambicioso tematicamente, mas menos consistente. Para fãs de horror psicológico vintage como A Seita Maligna (2016) e Beyond the Gates (2016).
7. V/H/S Beyond (2024)
V/H/S Beyond é, para mim, a aposta mais ousada da franquia. Com a premissa de expandir o universo para além das fitas VHS (explorando tecnologias modernas), o filme revitaliza a saga. Com todas as histórias com pé na ficção científica, ele mistura inovação e horror clássico, sem repetir os erros de Viral. O núcleo aqui é um falso documentário, com foco em alienígenas e que, mesmo que pareça estar “tapando buracos", entrega um final bastante conceitual. Os segmentos se diferenciam bastante entre si, como "Dream Girl", um dos mais diferentes de toda a saga, que mistura questões da fama e Bollywood. Na minha opinião, Beyond foi uma maneira de evoluir a saga. A recepção foi bastante positiva, dando um ânimo para os fãs, que agora esperam o próximo capítulo, que chega em 2025. Este é um título para fãs da série Black Mirror (2011) e Arquivo-X (1993): tecnologias bizarras e alienígenas.
SiREN (2016) – Derivado
Na minha avaliação, SiREN é um derivado surpreendentemente sólido! Expandir o segmento "Amateur Night", do primeiro filme, em um longa foi um risco, mas o resultado é envolvente e assustador. Mas, para gostar e se interessar, é preciso ter assistido ao original – no mínimo – e, honestamente, ver depois de todos os filmes torna a experiência mais gostosa pois é uma volta a algo que você conhece e ficou para trás. A exploração da mitologia por trás da criatura Lilith é bem-executada, e o tom sombrio (com elementos de horror corporal e suspense) mantém a tensão. A recepção foi positiva, e eu concordo: é mais narrativo que os filmes antológicos, mas isso funciona a seu favor. Para quem quer horror com profundidade mitológica, recomendo Abismo do Medo (2005) e Splice – A Nova Espécie (2009).
Kids vs. Aliens (2023) – Derivado
Para mim, Kids vs. Aliens é puro entretenimento – não espere o terror intenso do curta original de V/H/S 2. Este só vale se você se divertiu e gostaria de mais, porque é passável, caso contrário. O spin-off abraça uma vibe Stranger Things (2016) com invasão alienígena, coming-of-age e humor, resultando em uma aventura leve e caótica. A recepção o considerou criativo e divertido, e eu acrescento: é ideal para assistir com amigos, mas não para quem busca sustos sérios. Comparado à saga principal, é focado em diversão, não em terror puro. Recomendo Ataque ao Prédio (2011) e Super 8 (2011) para mais aventuras com crianças contra ameaças sobrenaturais.












































































































