10 Remakes e Adaptações Que São Melhores Que Os Filmes e Séries Originais

Atualizado em

Bruno Pinheiro Melim

Bruno Pinheiro Melim

Editor JustWatch

Ultimamente temos ouvido bastante a afirmação de que a versão original de determinada produção é melhor que o seu remake — talvez isso seja um sintoma da enorme leva de refilmagens que Hollywood vem fazendo nos últimos anos, que vem deixando a indústria um pouco saturada.

No entanto, essa frase pode não se aplicar para uma lista de filmes e séries que, muitas vezes, são considerados adaptações ou remakes melhores, comparados às suas produções originais — levando em conta, principalmente, a qualidade e popularidade de cada obra. Ainda neste ano, temos o remake de O Sobrevivente chegando aos cinemas, mas agora com Glen Powell no papel do protagonista, que foi originalmente feito por Arnold Schwarzenegger em 1987. Neste guia da JustWatch, conheça alguns dos exemplos de adaptações que superaram o filme ou série original (elencados por ordem de lançamento), e saiba também onde assistir a cada um nas mais diversas plataformas de streaming!

O Homem Que Sabia Demais (1956) 

Começando por um dos casos mais curiosos da história dos remakes cinematográficos. Em 1934, o mestre do suspense Alfred Hitchcock, ainda no início da carreira, dirigiu um filme britânico chamado O Homem Que Sabia Demais, que contava a história de um médico comum que de repente se vê envolvido em uma trama de assassinato internacional. Porém, anos depois, o mesmo diretor realizou uma versão americana da história, dessa vez com James Stewart no papel principal. O que, convenhamos, elevou bastante o status do filme.

A melhor versão? Não resta dúvidas que é a de 1956. Afirmação feita, inclusive, pelo próprio diretor, no livro Hitchcock/Truffaut, onde expõe que o filme norte-americano é uma obra muito mais madura, com personagens mais bem trabalhados, e uma ambiência que eleva ainda mais o suspense presente na trama (comentários estes com os quais eu tendo a concordar). Tudo isso acabou refletindo também na recepção do público na época, que abraçou o remake de Hitchcock de uma maneira bastante calorosa.

O Enigma de Outro Mundo (1982) 

Sim, O Enigma de Outro Mundo, um dos grandes marcos do cinema de terror e de ficção científica (dirigido pelo lendário John Carpenter), não foi o primeiro filme a contar a história do alienígena que caça um grupo de pesquisadores em uma estação polar. Na verdade, trinta anos antes, já existia o longa O Monstro do Ártico — que, ao contrário de O Homem Que Sabia Demais, foi realizado por um outro diretor, chamado Christian Nyby.

Apesar de algumas semelhanças entre os filmes, a segunda versão é mais fiel ao livro homônimo de John W. Campbell, que é a principal fonte dos dois longas. Principalmente em relação à história do alien poder se transformar em outros seres vivos (inclusive pessoas), o que acaba por aumentar (e muito!) o suspense psicológico do segundo filme, transformando-o em uma obra mais imprevisível, e com mais possibilidades de exploração de um terror corporal. Além de contar também com uma direção muito mais sofisticada, que dialoga diretamente com a temática angustiante do livro. 

Scarface (1983)

É, parece que o nível está muito alto no início dessa lista. Afinal de contas, nunca existiu um consenso de se o remake Scarface, de Brian De Palma, é realmente melhor que o filme original de Howard Hawks, intitulado no Brasil Scarface: A Vergonha de uma Nação

No entanto, à semelhança da segunda versão de O Homem Que Sabia Demais, que se elevou ao ter a presença de James Stewart no elenco, para mim, existe um grande fator que diferencia os dois Scarface, fazendo com que a versão mais recente se sobressaia ligeiramente. E esse fator é: Al Pacino! 

Evidentemente, quando se ouve falar em Tony Montana, nossa cabeça vai parar imediatamente nas inúmeras imagens e diálogos icônicos do filme de Brian De Palma. E isso muito por conta de Al Pacino, que entrega uma interpretação super intensa e multifacetada. Que é cativante, mas também intimidadora. Que faz você grudar na tela e habitar aquele universo violento, sem nunca mais esquecê-lo. Uma sensação parecida com presenciar Marlon Brando como Don Corleone em O Poderoso Chefão.

A Mosca (1986)

Novamente chegamos a uma questão de gosto. Àqueles que preferem um terror que explora principalmente o ambiente de mistério por trás de um experimento falhado, A Mosca da Cabeça Branca, dirigido por Kurt Neumann, pode satisfazer o seu gosto. Mas se você (como eu) adora uma vibe mais terror gráfico, parecido com o que encontramos em O Enigma de Outro Mundo, mas ainda mais explícito, no melhor estilo ‘cronenberguiano’, e sem deixar de lado o fator psicológico de um personagem que se transforma em um inseto, A Mosca é o filme certo para você.

Em resumo, David Cronenberg faz filmes mais perturbadores e desagradáveis (no bom sentido), e seu remake de 1986, levemente baseado no conto homônimo de George Langelaan, é um dos melhores exemplos (ao lado de Videodrome: A Síndrome do Vídeo) dessa sua faceta. Com certeza, uma obra-prima do terror corporal, e que (acredite) está disponível no Disney+.

Perfume de Mulher (1992)

Eu poderia usar o mesmo argumento de Scarface, afirmando que Al Pacino faz com que o remake de Perfume de Mulher seja melhor que o filme italiano (também intitulado Perfume de Mulher), de 1974. O que não deixa de ser verdade, já que o ator norte-americano levou o Oscar de Melhor Ator, interpretando um homem cego que pretende realizar o seu último desejo antes de morrer — mas não partiremos apenas dessa premissa. 

Outro fator primordial que faz com que o remake de 1992 seja superior ao filme italiano, mora justamente no fato de que sua narrativa se propõe a mergulhar emocionalmente, de maneira bastante realista e dramática (mas sem exageros, como o clássico Rain Man), nas relações entre os personagens da trama. Para dizer de outra forma, é um daqueles filmes extremamente emocionantes, que podem, inclusive, te fazer chorar — e é claro que isso é potencializado pelas performances de um elenco de luxo, que também conta com o mestre Al Pacino.

The Office (2005–2013)

Vamos agora para mais uma comparação um tanto quanto controversa (já que podem existir argumentos para os dois lados), dessa vez, direcionada para duas séries. Mas afinal, qual produção é melhor, o The Office britânico ou o The Office norte-americano? Do meu ponto de vista, a versão dos Estados Unidos, já que não temos como ignorar o maior impacto que ela teve na cultura popular, principalmente quando pensamos no desenvolvimento dos personagens e na duração total da série — que é muito maior.

No entanto, é importante pontuar que para quem prefere um humor ácido mais sombrio e pessimista, a versão britânica pode agradar mais. Já quem gosta de um humor igualmente constrangedor, mas que explora mais a fundo as relações entre os personagens, de uma maneira mais otimista, fica do lado da série americana. Porém (e este é um aspecto muito importante), quando falamos de protagonistas, fica difícil comparar o ‘vergonha-alheia’ Michael Scott com o arrogante David Brent. Apesar dos dois compartilharem a maioria dos defeitos, Scott vence no quesito qualidades — como pessoa, principalmente, porque como ‘boss’, melhor nem comentar…

Os Infiltrados (2006) 

Já deu para perceber (com Perfume de Mulher e The Office) que os norte-americanos têm uma cultura muito forte de adaptação de histórias de outros países. Essa informação talvez tenha passado batida, mas sim, o clássico filme de Martin Scorsese, Os Infiltrados, que conta com Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Jack Nicholson no elenco, também é adaptado de um longa-metragem estrangeiro (de Hong Kong), intitulado Conflitos Internos.

Sinceramente, do mesmo modo que The Office, Os Infiltrados não traz uma comparação fácil, uma vez que o filme original também tem diversas qualidades — sendo a principal delas, o fato de se aprofundar nos dilemas internos dos protagonistas (o policial disfarçado e o criminoso infiltrado). Por outro lado, o filme de Scorsese se concentra mais no suspense e nas sequências de ação que essa perseguição dupla causa. Na minha visão, como um thriller policial de primeira linha (parecido com clássicos como Os Suspeitos e Fogo Contra Fogo), completamente imprevisível e extremamente angustiante, Os Infiltrados é imbatível. 

Shameless (2011–2021) 

Mais uma parada dura no quesito melhor produção. E o pior, é que dessa vez não há sequer como utilizar o argumento de que uma série teve mais temporadas que a outra, e consequentemente mais tempo e possibilidade de desenvolvimento dos personagens e seus conflitos internos (assim como a segunda versão de The Office). Afinal, tanto o remake norte-americano de Shameless, quanto a versão original britânica (também intitulada Shameless), contam com onze temporadas acompanhando a disfuncional família Gallagher.

Porém, há um fator fundamental que faz com que a versão americana, para mim, se sobressaia, e seja uma produção mais identificável para com o público. O fato de grande parte da família Gallagher continuar na série até o fim da última temporada — algo que acaba por não acontecer na versão britânica, já que alguns integrantes vão deixando de aparecer durante as temporadas. O que, concordemos, faz com que o nosso coração fique mais acalentado durante o remake.

House Of Cards (2013–2018)

Muitos não sabem, mas a série House Of Cards, da Netflix, é uma adaptação de uma minissérie homônima britânica dos anos 90, que por sua vez é baseada no livro de Michael Dobbs, que também explora os meandros por trás do poder político. No entanto, ao contrário de Shameless, aqui, o desafio de eleger a melhor produção é muito mais fácil, uma vez que, assim como The Office, a segunda versão conta com mais temporadas e um apelo popular gigantesco.

Assim, apesar da série inglesa contar com um elenco excelente e um roteiro afiado, a versão norte-americana tem um desenvolvimento de personagens e subtramas bem mais apurado, se aprofundando na ideia de explorar o que o ser humano é capaz de fazer quando regido por uma sede insaciável de poder e ambição. Sem contar o detalhe de que, cinematograficamente falando, também não há como comparar a qualidade da direção e fotografia entre as duas produções — vale lembrar que um dos diretores da versão americana é David Fincher, que também realizou uma série de suspense muito famosa, que indico aos que gostam de House Of Cards, intitulada Mindhunter.

Nasce uma Estrela (2018)

Por fim, terminaremos com mais um caso (assim como O Homem Que Sabia Demais) bastante curioso, mas por um motivo diferente: se trata de uma das histórias que mais vezes passou por esse processo de reciclagem/atualização. Isto é, na verdade, Bradley Cooper estreou sua carreira como diretor de cinema fazendo uma adaptação de uma obra que já havia sido refeita outras duas vezes — todas elas com personagens semelhantes, mas algumas variações no enredo.

Tanto o Nasce uma Estrela original, lançado em 1937 e dirigido por William A. Wellman, quanto o último Nasce uma Estrela, de 2018, realizado por Cooper, são considerados filmes paradigmáticos no gênero de drama musical — sinônimo disso, é que ambas as obras levaram uma estatueta do Oscar para a casa. 

Porém, o último filme é o meu favorito, uma vez que faz um retrato menos idealizado do ‘showbusiness’, sendo, de todas as versões da história, a mais sombria delas (principalmente do ponto de vista do depressivo protagonista interpretado por Cooper, que lembra bastante o personagem principal de Coração Louco). Além de ter um maior apelo popular, muito por conta, claro, da participação memorável de Lady Gaga, com sua canção original “Shallow” — que rapidamente se tornou um marco musical.

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  1. O Homem Que Sabia Demais

    # 1

    Pouco antes de morrer, um espião inglês conta para o doutor Ben McKenna e sua esposa Jo, dois turistas inocentes, algum segredo que os envolve em um caso internacional de espionagem. Seu filho é seqüestrado e, sem saber em quem confiar, eles tem de lutar para recuperá-lo. Remake em widescreen e Technicolor do filme de 1934 do próprio Hitchcock.
  2. O Enigma de Outro Mundo

    # 2

    No Inverno de 1982, uma equipa de 12 exploradores em missão numa estação de pesquisa na Antártida descobre um ser extraterrestre enterrado na neve desde há 100,000 anos. Uma vez descongelado, o mutante extraterrestre provoca a devastação, cria o pânico à sua volta e transforma-se num deles.
  3. Scarface

    Scarface

    1983

    # 3

    Al Pacino oferece-nos uma inesquecível interpretação como Tony Montana, um dos grangsters mais duros alguma vez representado em filme, neste crime épico inspirado no clássico de 1932 com o mesmo nome. Realizado pelo criador de sucessos Brian de Palma e produzido por Martin Bregman, que levou ao ecrã ambas as lendas de O Padrinho, Scarface A Força do Poder segue a carreira violenta de um refugiado Cubano que abre caminho até ao comando do império da cocaína em Miami. Com o seu intenso argumento da autoria do vencedor do Óscar® da Academia – Oliver Stone, com uma orquestração musical conduzida por Giorgio Moroder e uma capacidade soberba de captar o bom estilo Latino de Miami, Scarface A Força do Poder entra para a categoria dos melhores dramas de Hollywood sobre o submundo das drogas.
  4. A Mosca

    A Mosca

    1986

    # 4

    O cientista Seth Brundle testa uma máquina de teletransporte de matéria e inadvertidamente permite que uma mosca entre na câmara junto com ele. Quando se dá a reintegração, o DNA de Seth funde com o do inseto, dando início a uma perigosa mutação genética. A transformação é testemunhada pela jornalista Veronica Quaife.
  5. Perfume de Mulher

    Perfume de Mulher

    1992

    # 5

    Frank Slade, um oficial veterano cego, viaja para Nova Iorque com Charlie Simms, um jovem que o acompanha e com quem resolve ter um fim-de-semana inesquecível antes de se suicidar. Porém, na viagem, começa a interessar-se pelos problemas do jovem, esquecendo um pouco a sua amarga frustração.
  6. The Office

    The Office

    2005

    # 6

    A série retrata a vida quotidiana dos empregados de escritório da empresa produtora de papel Dunder Mifflin Paper Company em Scranton, Pennsylvania. Uma adaptação da série da BBC com o mesmo nome.
  7. Os Infiltrados

    Os Infiltrados

    2006

    # 7

    O jovem polícia Billy Costigan infiltra-se no bando de Costello, chefe da máfia irlandesa. Enquanto ganha a confiança dele, Colin Sullivan, um mafioso infiltrado na polícia, ascende a uma posição de poder na Unidade Especial de Investigação. Cada um dos homens embrenha-se profundamente na sua vida dupla, recolhendo informações sobre os planos e operações de cada um dos lados. Mas quando tudo se torna claro, para os polícias e para os gangsters, Billy e Collin passam a estar em perigo de serem descobertos e cada um inicia uma corrida para desvendar a identidade do outro.
  8. Shameless

    Shameless

    2011

    # 8

    A série narra a vida da família Gallagher, uma família disfuncional da classe operária de Chicago, e a sua forma de lidar com a crise económica americana. O patriarca Frank Gallagher é um alcoólico, pai de seis filhos, a quem a mulher trocou por outra mulher. A família mantém a sua estabilidade graças à filha Fiona, uma jovem de 18 anos que se esforça por tomar conta dos seus cinco irmãos e irmãs, tentando ao mesmo tempo manter sóbrio o seu próprio pai.
  9. House of Cards

    House of Cards

    2013

    # 9

    Nada pode impedir o político sem escrúpulos Frank Underwood de conquistar Washington.
  10. Nasce Uma Estrela

    Nasce Uma Estrela

    2018

    # 10

    Nesta nova versão da trágica história de amor, Cooper interpreta Jackson Maine, um músico consagrado que descobre – e se apaixona – por Ally, uma artista em dificuldades. Esta tinha desistido de realizar o sonho de ser cantora até que Jack a ajuda a chegar aos grandes palcos e ao estrelato. Mas enquanto a carreira de Ally descola, o lado pessoal da relação de ambos começa a deteriorar-se, ao mesmo tempo que Jack luta contra os seus próprios fantasmas.