Com um universo narrativo que se expande entre a série principal The Boys, a animação antológica The Boys: Diabolical e a derivada Gen V, mergulhar no mundo distorcido de super-heróis pode gerar uma dúvida: por onde começar? Principalmente com a segunda temporada de Gen V sendo lançada no Prime Video e, como é de se imaginar, dando o que falar!
Seja você um novato querendo iniciar a jornada ou um fã que busca uma experiência cronológica, este guia detalha a principal maneira de assistir às temporadas das séries, além de te contar detalhes de cada uma das três produções do universo. Vale dizer que The Boys: Diabolical não é cânone e, por isso, não entra na ordem – pode ser assistida quando você quiser.
Outro bom motivo para se atualizar em The Boys é a série Vought Rising, spin-off que será estrelado por Jensen Ackles e Aya Cash, retornando como Soldier Boy e Tempesta em uma história de origem. Ainda não se sabe quando a série será lançada, mas posso dizer que eu estou bastante ansiosa para ver o famigerado início de tudo.
Caso você queira assistir a todas as temporadas em ordem cronológica, basta seguir a seguinte ordem:
- The Boys - Temporada 1
- The Boys - Temporada 2
- The Boys - Temporada 3
- Gen V - Temporada 1
- The Boys - Temporada 4
- Gen V - Temporada 2
Outra opção é maratonar cada uma das séries, o que permite que você se aprofunde em cada história separadamente, assistindo então na ordem abaixo.
The Boys (2019 - atual)
The Boys, produzida para o Prime Video e baseada nas HQs homônimas, é uma das séries mais impactantes dos últimos anos, apresentando uma premissa tão original quanto perturbadora: em um mundo onde super-heróis são entidades corporativas e celebridades globalmente idolatradas, um grupo de vigilantes comuns, intitulado ‘The Boys’, se une para expor a verdade por trás da fachada heroica. Liderados pelo cínico e obsessivo Billy Bruto, eles enfrentam os Sete, um grupo de supers da Vought International, cujo líder, Capitão-Pátria, é a personificação viva do narcisismo e da perversão do poder. A série se destaca por sua sátira afiada e sem pudores, criticando a comercialização da justiça, a cultura do cancelamento e a perigosa fusão entre corporações, mídia e política.
Com um humor extremamente ácido e cenas de violência gráfica que servem tanto ao entretenimento chocante quanto à crítica narrativa, The Boys consegue a proeza de equilibrar ação implacável com um desenvolvimento profundo de seus personagens, explorando a humanidade dos "vilões" e a escuridão dos "heróis". Pessoalmente, essa se tornou uma das minhas séries favoritas, daquelas que eu não perco um episódio e faço de tudo para assistir a ela antes de ser bombardeada com spoilers. A atuação de Antony Starr como Capitão-Pátria é frequentemente aclamada como uma das mais fascinantes da televisão contemporânea, capturando uma mistura aterradora de carisma e psicopatia. A recepção do público e da crítica foi massivamente positiva, com altas avaliações em plataformas como IMDb e Rotten Tomatoes, consolidando-a como um fenômeno cultural que gera discussões fervorosas sobre ética, poder e a natureza dos heróis com cada episódio.
Para quem aprecia a mistura de sátira social, ação e escuridão de Invencível, outra produção do Prime Video que, em formato de animação para adultos, explora com igual intensidade as consequências sombrias e violentas do mundo dos super-heróis, vai amar The Boys. Pode também ser uma boa pedida para fãs de The Umbrella Academy, da Netflix, que, com seu elenco de heróis disfuncionais e uma trama repleta de conflitos familiares e humor absurdo, também desconstrói de maneira criativa o arquétipo do herói tradicional.
No conjunto, The Boys não é somente entretenimento; é um comentário social urgente e indispensável. O sucesso foi imenso e rendeu duas séries derivadas, que falaremos abaixo.
Gen V (2023 - atual)
Gen V surge como um derivado ousado e bem-sucedido do universo de The Boys, ambientado na Godolkin University, uma prestigiada instituição financiada pela Vought International que funciona como uma liga da justiça encontra Harvard para jovens super-heróis em formação. A série acompanha um grupo de estudantes, incluindo a protagonista Marie Moreau com seu perigoso poder de controlar o sangue, enquanto eles navegam pelas águas traiçoeiras da competição acadêmica, popularidade e a desesperada busca por um lugar no time dos Superiores.
A premissa permite que Gen V explore temas ainda mais próximos do seu público, como as pressões da geração Z, a crise de identidade, a toxicidade do ambiente acadêmico e a luta por reconhecimento em um sistema corrupto. Com a mesma mistura característica de sátira ácida, humor ácido e violência gráfica que consagrou a série original, o spin-off aprofunda a mitologia de The Boys ao investigar os horrores dos experimentos da Vought com o Composto V em crianças e jovens adultos. Aqui, vale dizer que para ver Gen V, é necessário ter assistido a The Boys, da mesma maneira que a produção derivada acaba por interferir na original.
A recepção foi extremamente positiva, com elogios direcionados à sua originalidade no universo, ao elenco carismático e à forma habilidosa como expande o lore sem se tornar mera repetição, mantendo-se fiel ao tom crítico e subversivo da franquia. Como fã de The Boys, acredito que Gen V seja uma boa continuação e expansão, mas se compararmos ambas, The Boys é superior e, talvez, isso aconteça pela “maturidade” da trama: os temas são mais atuais e abrangentes.
Para os fãs que se aventuraram por Gen V e desejam mais conteúdo no mesmo espírito, indico a série Os Ausentes, série nacional do Prime Video que, embora em um registro de terror, também lida com jovens em uma instituição isolada descobrindo poderes aterradores e conspirações sombrias. Gen V prova que o universo de The Boys é um campo fértil para histórias, funcionando tanto como uma entrada perfeita para novos fãs quanto como uma expansão gratificante para os veteranos.
The Boys: Diabolical (2022)
The Boys: Diabolical é uma antologia animada de oito episódios que expande o universo sombrio e satírico de The Boys brilhantemente e maneira diversificada. Cada episódio, com cerca de 15 minutos, funciona como uma história independente, explorando diferentes tons, estilos de animação e facetas desse mundo onde super-heróis são corruptos e a corporação Vought International está no centro de todos os males.
O grande trunfo da série é sua liberdade criativa: temos episódios que vão desde a comédia absurda, que explica a origem do poder do Capitão-Pátria sobre voar, até dramas sombrios que investigam as consequências trágicas e sangrentas do Composto V em pessoas comuns. A variedade de estilos de animação é um espetáculo à parte, indo do traço infantil e colorido até a estética noir, cada um servindo perfeitamente ao tom de sua respectiva história.
A recepção foi muito positiva, com a crítica e o público elogiando a capacidade da série de capturar a essência do universo original – a violência, a sátira e a crítica social – enquanto experimentava com novas vozes e perspectivas, inclusive com episódios escritos por grandes nomes como Seth Rogen, Andy Samberg e o criador da série original, Garth Ennis. Particularmente, acho uma boa diversão que entretém sem a obrigatoriedade de ser assistida.
Para quem gostou de Love, Death & Robots, da Netflix, que também utiliza a animação para explorar conceitos adultos e subversivos, está é uma ótima opção. O mesmo acontece com em Happy!, na qual assassino ferido faz amizade com o amigo imaginário de sua filha sequestrada, um alegre unicórnio azul voador. Violência e animação, tudo misturado!
The Boys: Diabolical não é somente um complemento para fãs hardcore; é uma celebração da versatilidade e da potência crítica desse universo, provando que suas histórias podem ser contadas de inúmeras formas, sempre com um pontinho de caos e sangue. Claro, em comparação com as outras duas séries, The Boys e Gen V, está é muito mais simples e menos profunda, mas até mesmo por isso vale a pena.
Vought Rising (2026)
Como falamos, há uma nova série chegando: Vought Rising. No entanto, a colocaremos ainda fora da ordem pois ela está prevista para chegar ao Prime Video apenas em 2026. Por enquanto, o que se sabe é que se trata de mais um derivado de The Boys, mas desta vez o público acompanha o nascimento da famigerada empresa Vought. A produção, portanto, é uma prequela ambientada nos anos 1950 e mostra como a Vought Enterprises se tornou um dos maiores nomes de empresas do mundo, um verdadeiro império corporativo, além de ser responsável pela criação de super-heróis bastante perigosos, como o Capitão-Pátria. Falando nele, já sabemos que Soldier Boy (Jensen Ackles), o pai do Capitão-Pátria, estará como um dos protagonistas, assim como Tempesta (Aya Cash), que esteve presente em uma das minhas temporadas favoritas: a segunda.
Com a promessa de dois dos personagens mais legais e importantes da série (Soldier Boy e Tempesta) as expectativas para Vought Rising estão bem altas. Se tratando de uma produção de The Boys, espero muita violência e cenas de sexo, mas também revelações que vão mexer com as estruturas do que sabemos dos Supers até agora. Em uma palavra: ansiedade!

































































































